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Caldas, A. (2025). Inteligência Vital, Estupidez Artificial. Contraponto

Recensão

Rui Alexandre Grácio [2025]

Apesar do discurso abrangente que apresenta, o livro inscreve-se sobretudo numa visão vitalista da inteligência e secundariza a inteligência artificial como sendo algo de belo, mas não sublime.

Assim, neste livro é proposta uma desmontagem frontal do rótulo “inteligência artificial”: antes de discutir máquinas “inteligentes”, o autor recua e pergunta o que é, afinal, inteligência. A partir de um olhar de neurologista, cruza biologia, filosofia e neurociências para defender que a inteligência é uma propriedade do vivo, plural nas suas manifestações e inseparável de corpo, história e contexto. Neste quadro, a IA surge sobretudo como simulação funcional e “auxiliar da mente”, eficaz em tarefas delimitadas, mas incapaz de replicar a complexidade orgânica e adaptativa da inteligência natural.
O livro ganha força quando liga a discussão conceptual às consequências práticas: critica a “roda livre” tecnológica e o modo como produtos são lançados para “ver se funciona”, incluindo em domínios sensíveis como a medicina, onde a autoridade da máquina pode corroer o juízo clínico. A recensão fica com a impressão de um ensaio claro, provocador e oportuno, mais interessado em recolocar o debate em bases humanas e éticas do que em descrever tecnologia em detalhe. Funciona bem como antídoto ao hype: menos futurismo, mais responsabilidade e rigor no vocabulário com que pensamos a IA.

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Última atualização em 24 de maio de 2026